O candidato presidencial Venâncio Mondlane regressou a Moçambique numa quinta-feira de manhã, após quase três meses ausente do país, chegando ao Aeroporto Internacional de Maputo em meio a fortes chuvas e forte dispositivo policial.
MAPUTO, Moçambique — O candidato presidencial Venâncio Mondlane regressou a Moçambique esta quinta-feira de manhã, após quase três meses em parte incerta, chegando ao Aeroporto Internacional de Maputo em meio a chuva intensa e estradas bloqueadas. De acordo com informações avançadas pela Deutsche Welle (DW), a chegada do político marcou o principal acontecimento do dia na capital moçambicana.
Segundo declarações prestadas à imprensa no aeroporto, Mondlane explicou que a sua viagem tinha três objectivos principais: quebrar a narrativa de que estaria ausente do país e indisponível para diálogo; testemunhar directamente a violência que, segundo ele, atinge apoiantes da sua candidatura, incluindo sequestros, execuções e a descoberta de valas comuns; e demonstrar disponibilidade para se submeter à justiça relativamente aos processos judiciais que lhe são movidos.
Conforme relatado pela DW, na mesma ocasião Mondlane declarou-se "Presidente eleito pelo povo moçambicano", afirmando prestar juramento de honra à pátria, numa formulação que rejeita explicitamente a legitimidade do Conselho Constitucional e da Comissão Nacional de Eleições (CNE) na proclamação dos resultados.
Segundo a correspondente da DW em Maputo, Silaide Mutemba, que acompanhou a deslocação do candidato até ao centro da cidade, a viagem terminou com a morte de pelo menos dois apoiantes de Venâncio Mondlane. De acordo com a mesma fonte, o acesso ao aeroporto esteve condicionado pela polícia e por militares horas antes da chegada anunciada, tendo sido reportados alguns disparos nas imediações, além de bloqueios nas vias de acesso e transporte de passageiros por autocarros a partir dos pontos de controlo.
A publicação recorda ainda que Mondlane havia anunciado, no domingo anterior, o início de uma nova fase de contestação pós-eleitoral, denominada "Ponta de Lança", reiterando não reconhecer os resultados das eleições gerais de 9 de outubro de 2024 e prometendo liderar a oposição aos resultados proclamados pelo Conselho Constitucional. Na mesma declaração, citada pela DW, o candidato afirmou aceitar o risco de prisão ou morte, sublinhando que tal desencadearia uma reacção popular sem precedentes na história do país e do continente.
Segundo dados publicados pela DW, desde 21 de outubro, data em que teve início os protestos contra os resultados eleitorais, os confrontos entre manifestantes e a polícia provocaram quase 300 mortos e mais de 500 feridos. Mondlane, que esteve fora do país invocando razões de segurança, negou ter fugido por medo, defendendo que a sua ausência permitiu o avanço das manifestações.
A mesma fonte refere que, enquanto o Tribunal Supremo nega a existência de mandados de captura contra Mondlane, o Ministério Público acusa-o de ser autor moral das manifestações, responsabilizando-o por prejuízos superiores a dois milhões de euros apenas na província de Maputo e arredores. O regresso do candidato ocorre poucos dias antes da posse do novo Presidente, marcada para 15 de janeiro, depois de o Conselho Constitucional ter declarado Daniel Chapo, da FRELIMO, vencedor das eleições presidenciais com 65,17% dos votos.
Marcelino S. Francisco é editor-chefe do Top24horasnews com 8 anos de experiência em jornalismo económico.
